quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Cronicas de Alexandre Langa (hoyo-hoyo masseve)

Hoyo-hoyo Masseve
Hoyo-hoyo masseve, hoyo-hoyo masseve
Ashi rwalo shawu canhi shi cala ngopfu masseve
Hinga tsama hi lani nitaku rungulissa

Nitaku rungulissa
Nitaku rungulissa
A xi nhimu xa wena xa navelissa masseve hinga tsama hi lani niatku rungulissa
Ni ta rungulissa
Ni tarunguilissa
Hoyo-hoyo masseve, hoyo.hoyo masseve.
Alexandre Langa

Hoyo-hoyo masseve; Uma nota de boas vindas que insinua o intimismo.

Sempre se dirá que a música é a cortina de vidro e ferro que mostra e oculta ao mesmo tempo.
É surpreendente o que se descobre quando se ouve estas músicas com outro ouvido. Mais surpreendente ainda, é pensarmos que as conhecemos e por isso as cantamos sem contudo as questionar.
A simplicidade com que os músicos e maxime Alexandre Langa, trata as suas canções, faz desconfiar, porque logo à partida, não se pode conceber que o Alexandre tenha feito esta música somente para celebrar a época e canhú.
A verdade é que há muito nesta letra, e sempre escondido, nas entrelinhas.
Hoyo-hoyo masseve, não é mais que uma mensagem de boas vindas, onde um compadre diz a comadre que é bem-vinda. (hoyo-hoyo masseve)
É bem-vinda ainda, quando traz o canhú, que se sabe, bebida de época e por isso, não fácil de encontrar a qualquer altura do ano. (Ashi rwalo shawu canhi shi cala ngopfu masseve.)
Justamente por isso que o Alexandre corre, para ajudar a comadre a tirar o pote de canhú de cabeça, para depois conversarem (Hinga tsama hi lani nitaku rungulissa.)
Até aqui está tudo bem, porque é costume entre nós, que quem traz um presente, e de maior valor como o canhú, depois de o receber seja convidado a sentar-se para o desenrolar do habitual ndzava, onde se conta tudo, desde as ligeiras dores de cabeça do tio, do tio do nosso tio, até ao latido de khombomuni, este cão, que não dorme por causa dos valoyis, da Miseriana que comporta-se mal, do Castiguana que com tenra idade já bebe e tira cigarro das narinas, da dura vida, fala-se de tudo ou quase.
Na verdade, este acto é um ritual que pode ser interrompido para saudar quem passa rapidamente e restabelecido assim que as condições estiverem criadas (até parece TVM né?)
Facto é que depois da ndzava, Alexandre e comadre, começam a beber canhú e não nos esqueçamos que o canhú, é um verdadeiro afrodisíaco, e que depois de ingerido umas certas quantidades provoca reacções e é aqui que a música muda de rumo.
Pois, a certa altura, o Alexandre diz para a comadre (A xi nhimu xa wena xa navelissa masseve hinga tsama hi lani nitaku rungulissa), ou melhor; seu estilo (entenda-se também seu porte, sua maneira de ser, suas formas, curvas) é tão perfeito e/ou mete cobiça, sente-se aqui para a ndzava (saudação) comadre.
Ora, se já houve a ndzava logo que a comadre chegou e com direito aqueles rodeios que nos são habituais, o que faria Alexandre querer repetir?
Há aqui matéria para muita reflexão. A mim, me parece que esta ndzava é bem outra, é que, depois de uns copos a comadre, ganhou novas formas, aliás, as impensáveis de dizer em dia normal, mas que com um copo Alexandre disse e até olhou para dizer “axi nhimu xawena”, ou melhor, as suas formas, a sua pose comadre é de fazer inveja e/ou cobiça.
Reparem, tudo é feito na medida e dose certas, pois, mesmo convidando a comadre para a outra ndzava, Alexandre, teve o cuidado de manter o respeito, porque se a comadre não quisesse alinhar e levantasse alguma problema, era fácil escapulir, justamente porque não faz mal elogiar a pose de uma comadre.
E porque não houve problemas, não tardaria que os dois fingissem ir a casa de banho e resolverem os problemas de canhu, para falarem depois e bem baixo, nos ouvidos de ambos, “sula nomo” ou melhor, “limpe a boca”, em clara referência a que nada aqui aconteceu.
E lógico, o próximo encontro ficaria marcado dali, a mais um ano, na próxima época de canhú, porque “Ashi rwalo shawu canhi shi cala ngopfu masseve”, a prenda de ucanhu é tão rara comadre.
Verdade, o canhu, é esta bebida que autoriza algumas práticas que são impensáveis nos mais velhos, é esse mal que nos pertence e mostra a nossa vulnerabilidade como humanos, nos desnuda, justamente por isso mesmo, que não se pode servir as crianças e que a abertura da festa do mesmo, dá se na casa do mukhulo, do régulo, do induna, para que logo o problema rebente, seja logo atacado e abafado, é o mesmo esquema dos madlaya nhocas (mamani nixi cumile mina hiwo nengue lowu), de Alexandre, mas essa, já é matéria de outra crónica.
Por enquanto, fiquem com este gostinho de canhu, feito na época e por favor, bebam com os vossos homens, para que não cantem hoyo-hoyo masseve.

E não era poeta o Alexandre ao conseguir emitir um convite para o acto sexual com uma mensagem tão simplista como hoyo-hoyo masseve?

11 comentários:

amosse macamo disse...

Meus bons amigos, sempre se dirá que a tecnologia nos trai sempre.
É, fui mesmo traído; é que, quando tentava editar esta mensagem, acabei apagando todo o texto. Na verdade, esta postagem, já tinha comentários dos meus amigos Ximbitane e Saiete.
O meu perdão a estes, swa karhata pela leswi, mas vou, na medida do possível recuperar os comentários, da minha caixa de mensagem.
Minhas desculpas e obrigado pela compreensão

amosse macamo disse...

Ximbitane disse:
X!mb!t@nE deixou um novo comentário na sua mensagem "Cronicas de Alexandre Langa (hoyo-hoyo masseve)":

Kakakaka, Saiete também!?

Amosse, parabéns pala ousadia. Sabes, amigo, o que eu gosto na "velha guarda"(sera que ja nao tem mais nada para guardar?) é que sabiam usar as palavras sem ferir suscetibilidades, como se "vê" ultimamente.

As tuas abordagens, em particular as cronicas, tm o condao de nos fazer "ouvir" as musicas dos musicos. Ja nao se trata apenas de "entrar por uma orelha e sair pela outra".

A. Langa, decerto que vivenciou essa historia, quer como observador quer como autor e, sabes e bem disseste, ainda que eu nao o aceite, o canhu tem poderes na epoca do canhu tudo é permitido (compadre e comadre cruzarem-se na wc).

Agora, caro Amosse, imagina esse cenario mas em que o canhu é vendido: o compadre perdoara o outro por ter "canhuado" com a comadre? Nao serao as novas modas tendenciosas? ha coisas cujas dimensoes nao nos demos conta: a liberalizaçao do canhu é muito mais do que o que se diz!

amosse macamo disse...

Saiete disse:
Jorge Saiete para mim
mostrar detalhes 16:13 (16 horas atrás) Responder


Jorge Saiete deixou um novo comentário na sua mensagem "Cronicas de Alexandre Langa (hoyo-hoyo masseve)":

Amosse tu me matas de rir, hewena!
Eu tenho alguns temas de Alexadre Langa e normalmente escuto, "Smith wa hlanya vanduwe" assim como "loku unga ndzi lavi nzi byeli
nzita wona ma nwanyana matimba, a nkama wandzi siya mina
waku aka muti" e ainda "rosa maria, rosa maria.
wa zi tiva zaku
ni sukile kali.
wo kala niku tsika
u tsala papilo.
unzi rengulela
ka xihandla famba xihandla wuya"

Nunca me tinha dedicado a esta musica, apenas a cantava como qualquer outra canção como "é so fazer katla". Então já percebo porquê a minha esposa (que é maronga) nunca aceitou que eu (que sou matswa e duma zona sem tradição de canhu) fosse tomar canhu fora de portas. Kanimambo makweru, assim evitarei trazer wucanhi para o meeting do dia 28 no Corredor de Nkobe.
abraço

amosse macamo disse...

Eu disse para Saiete:
amosse macamo deixou um novo comentário na sua mensagem "Cronicas de Alexandre Langa (hoyo-hoyo masseve)":

Risos risos, risos, Saiete, por favor não deixe de levar o ucanhu ao corredor de Nkobe, porque já o conhecemos as manhas.
Bom saber que te agrada o Alexandre, e pela escolha de reportório (Rosa Maria e Smith Wa phephuka,) percebe-se que falamos do Alexandre Langa mesmo, não o de mabunganine.(estou a tratar com um bom ouvinte)
Bom saber que passas por aqui Saiete e melhor mesmo, é saber que te faço rir, risos risos risos,
Outro abraço meu bom amigo
ja agora Smith hambi loku uti yentcha ngwazi unga toloveli mocambique

amosse macamo disse...

Ximbitane, o canhu nao deve ser vendido, pior com a vaga de violencia domestica que assola a cidade de Maputo.
nao me entra na cabeca que a comadre canhue com o compadre, em nome da viagrice do canhu....recuso-me, e nem com o regulo a apasiguar.
ha que ver de facto a questao da liberalizacao do canhu....

X!mb!t@nE disse...

Entao nessa recusa comungamos dos mesmos principios!

amosse macamo disse...

ximbitane, canhu tem suas regras e que devem ser respeitadas sob risco de consequencias que nao poidemos controlar, concordamos sim.

Júlio S. disse...

Outra leitura:

A Comadre carrega Ucanhe para o compadre que a recebe explendidamente.

A Comadre e o Compadre bebem Ucanhi Juntos. Como adultos que são sabem das reacções libidinonas do Ucanhi mas não se inibem; bebem juntos.

É normal homens e mulheres beberem canhú juntos? É isso que o ritual canhuístico determina. Me parece que não é bem assim. Mas os compadres bebem.

Logo, a minha mente "formatada" me diz: a comadre já veio com matendência, mas era necessário escamotear o óbvio bebendo canhú para parecer que tudo vinha da beberiscagem do canhú. Comadre a wo mulava Alexandre...

Então, Amosse... que me dizes?

Mutisse

amosse macamo disse...

Mutisse, se ha aqui premeditacao da comadre?
nao sei meu amigo, eu fiz uma leitura, e o que fazes agora, 'e entrar no espirito do modaskavalu, fazendo tambem a sua.
'e como bem digo sempre, nao procuro aqui, uma visao unitaria.
bem hajas.
ca entre nos Mutisse, a comadre queria, ha hawene, temos olhos para ver pa
bom fim de semana

Anónimo disse...

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