quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

ALEXANDRE LANGA e Jossefa Mukhombo

Jossefa Mukhombo
Utsama u dhakwile
Nigweli lomu uyi kumaka kona male
Ama meticale makumiwa hi vatirhi
Nigweli lomu uyi kumaka kona wena-Alexandre Langa


Se enumerasse a classe dos “faz de contas”, teríamos uma lista interminável, isto porque hoje, ninguém está mais disposto a ser.
Todos queremos parecer e neste exercício, é muito difícil distinguir quem é quem.
E valerá a pena a distinção?
Bom não sei; verdade, é que se vive outros tempos. Tempos que quando tentamos compreender os factos e achamos que já os compreendemos, o que era, ou parecia ser, já mudou e como.
Sob comando de uma falsa ideia de liberdade tendemos a conduzir nossas vidas de uma forma corrida, sem respeitar o próximo, valorizamos o imediato, o consumismo, o material, o gosto pelo enriquecimento fácil, muitas vezes sustentados pelo ilícito.
Bom, esta, está já a parecer uma lição de moral quando a questão pode ser colocada no sentido de questionar a que distancia estou do homem que descrevo?
Isto para dizer que não estou aqui, para julgar seja quem for, só que, questionar, nunca fez mal, aliás, aprende-se muito com este exercício.
Proponho-me assim, a apreender com a música de Alexandre Langa, que faz um questionamento que não foge muito do que aqui se escreve:
“Jossefa mukhombo, se estás sempre bêbado, diz-me onde arranjas o dinheiro, porque sabido que este provém do trabalho”.
Bom, a primeira vista, a mensagem resolve-se, porque, o que o Alexandre indaga é pacífico: saber onde Jossefa arranja o dinheiro para beber se, não trabalha.
Mas, se olharmos atentamente, descobrimos que estas palavras vão além do que ali foi dito, isto porque, estar sempre bêbado, é colocado num ponto que caracteriza todas as formas de estar, que contrariam o sensu comum, por ex. estar bem vestido, comer em restaurantes caros, viver em casas arrendadas, a prodigalidade habitual etc, quando se sabe, que o visado, não trabalha
Numa sociedade como a nossa em que o “faz de contas” é que vale, os que vivem desta forma, são os que sobressaem.
São capas de revistas que surgem não se sabe para que efeito ou linha editorial seguem, são constantemente chamados para entrevistas que não se sabe bem que efeito se pretendem produzir no destinatário (dai que alguns aproveitam para exibir os fatos italianos), passam a vida de bicos nos pés, para serem sempre vistos. (eu gosto de ser visto eich? De ser visto!)
Mas a maioria destes até que desenvolvem algum trabalho: não é fácil ser medíocre, isto é; dá trabalho, mexer em computador para apanhar o beat certo e produzir “gosto de ser visto, ou "Kahtla" de Mutisse.
E fazer estas musiquetas não é trabalho? Que vá passear quem pensa diferente, aliás, quem pensa assim, não passa de um “invejoso reguila”.
O Alexandre Langa, questiona sim, os tipos que ele sabe que nada fazem, mas tem sempre dinheiro. Que não se lhe conhece algum ofício lícito, mas andam em brutos carros, que de dia dormem e a noite acordam sem irem a um trabalho verdadeiramente de turnos, aos tipos que desprezam nosso esforço de trabalhadores modestos, porque nos acham honestos demais…
E diz-me; onde tu arranjas dinheiro para tudo isso, se não trabalhas?
Há-de convir, que o ilícito criminal acompanha estes homens. Que o alheio, faz parte de suas vidas, que o gosto pela vida fácil sem esforço, aliado ao enriquecimento sem causa, fazem deles, os homens de momento.
Pena que as minhas irmãs se deixam enganar por estes tipos, pena que lhes interessa assim como estes ver o imediato, pena que estes, ao lado de quem busca o conhecimento sempre sobressaem, pena mesmo, que até a minha mulher desvalorize o esforço dorido de manter um lar, por um destes pelintras.
Mas diga-me então ó Jossefa Mukhombo, onde arranjas dinheiro, se não trabalhas?
E vou lá atrever-me a perguntar onde arranja dinheiro um individuo que não trabalha, quando se sabe que é amigo de um Polícia dos bons?
Jossefa Mukhombo é este hino, que não procura respostas, senão, questionar. É esta música, cantada por um homem a quem apelido de sociólogo musical, sim, Alexandre, com as suas músicas já cantou este pais, o seu pulsar, suas conquistas, derrotas, sem contudo, perder a estrutura estética, que orientava as suas músicas, porque em qualquer coisa que cantava, não faltava nunca o esmero, o toque de beleza, o arranjo fino, o amor, a vida, a dor, angustias, anseios, tudo cantado em maiúsculas.
Maiúscula que pretendo grafar aqui no Modaskavalu, em palavras… modestas palavras.
Amosse Macamo
P.S. a presente, faz parte de um exercício que se pretende mensal, de tentar descortinar no máximo as músicas do Alexandre, isto, porque impossível, em duas ou três matérias, trazer a temática deste homem.

6 comentários:

Júlio S. disse...

Wena Amosse, juro...

Sabe, se compilarmos o que já escreveste aqui sobre a nossa música, juro que podíamos escrever um manual sobre o percurso da nossa música nos últimos tempos. Falo de música séria e não do Katla das noites de dança no coco...

Este é um exercício útil que tem despertado em mim a atenção de perceber o que estes cientistas sociais sem diploma (mesmo da música) disseram sobre nós como povo, como nação.

Reitero o desafio que te fiz antes, comece a pensar em sistematizar este conhecimento que nos trazes aqui e fure as barreiras e publique, para perpetuar. Esta virtualidade blogósfera pode ser frágil demais, encontre outros que precisam deste conhecimento.

Até o homem de Mabunganine te agradeceria e se remexeria lá no seu túmulo onde descança. ele trabalhou...

Mutisse

Júlio S. disse...

A propósito, as aulas começaram, podia ser de extrema utilidade trazer os conselhos do bom do José Mucavel para aqui, nesta terra que precisa que precisa perceber os acontecimentos universais... sabes de que falo.

amosse macamo disse...

Mutisse, bom ter-te aqui, acredite.
Bom, saber ainda que pulsamos juntos nesta aventura de descobrir o que os cientistas sociais, como os chamas, disseram, vaticinaram…
Não sei se te devo ouvir Júlio no teu incitamento para a sistematização das modestas ideias do Modaskavalu, porque tenho a ideia de que a cultura para o país, não é agenda.
Inclino-me a acreditar em si que me dizes, todos os dias e sempre que escrevo o que pensas, do que em que nunca tive eco, por todos motivos evocáveis.
Esta tem sido a minha maneira de dialogar primeiro comigo mesmo, segundo, com quem se identifique com esta forma de ser. E neste dialogar, não estou muito preocupado com os demais, nem com as maiorias, porque existem maiorias loucas não é Mutisse? Preocupo-me sim, em cada homem, como tu, que larga o que faz, e dedica um segundo do seu tempo ao Modaskavalu, a esses homens, o meu, sempre Bayete!
Mas porque não pensar na ideia?
Nego-me em todo caso a dançar kahtla, juro que não vou dançar nunca!
Bayete Mutisse

amosse macamo disse...

ah a Balada para as minhas filhas, essa missa que escuto sempre no silencio...essa sim julio!
vou cuidar disso e ja.

X!mb!t@nE disse...

Serao aos cronicas sobre o Alexandre Langa? Se sim, sao muito benvindas!

amosse macamo disse...

Ximbitane, sinto a ironia no ar! nao sao ainda as cronicas, alias, foi por causa desta materia que senti a necessidade de o fazer, depois desta, comecam as cronicas. temos aqui em maos, apenas um medidor....wene mana pa, ha!