terça-feira, 25 de novembro de 2008

Magilidana

Magilidana; um lindo poema de amor
Impossível descrever o Eugénio Mucavel sem os “olhos-de-ver-poesia”, porque este, imprimia poesia pura na sua música.
E como se sabe, tudo num poema, inclusive suas omissões, é significativo. E é esta significado, que me fez entrar na poesia do Eugénio Mucavel, fruto do seu ser social e acima de tudo, de relacionamentos mal conseguidos no campo amoroso.
Mas, o exemplo de hoje, embora aponte nesse sentido, tem seu quê de ganho, pois, a “Magilidana” que inspirou a música de que vou falar, não é aquela, que ele canta e lamentando-se numa outra música que” Niku kumile ussiwanine nawu shavissa matoritori, kambe nhamuntlha, wa ni shanissa” (“tirei-te da pobreza, vendendo doces de coco, mas hoje, me fazes sofrer”), esta, teve um final feliz, embora o começo tenha sido doloroso, como afinal, é sempre doloroso, o caminho da verdade.
Na verdade, a Magilidana foi a mulher da vida do Eugénio Mucavel, dai que na música ela é destacada desde o início, como aquela mulher que o homem olha e diz “é ela”, como que dirigido por um sino interno que toca na hora certa.
Interpretando a música Magilidana, percebe-se que esta mulher, não teria que passar por momentos de dúvida porque passam as mulheres com é caso de procurar saber quais as reais intenções do homem que a corteja, porque Joaquim sabia de antemão, afiançava e deixava transparecer que a queria casar (Migilidana, unhimela yini ndlovi yawu kati?)
Magilidana é a escolhida e elevada ao lugar de mulher para o seu lar, porque conhecia lá no fundo que a amava mesmo antes de a ter. Reparem, não havia platonismo algum no seu sentimento, porque sempre quis concretizar este amor que só teimava em não acontecer porque a Magilidana não cedia, e quando parecia ceder, se mostrava hesitante, daí que questiona “Magilida, unhimela yini ndlovi yawu kati?”, de que esperas Magilidana, mulher do meu lar?
Eugenio avançou sinal como que seguindo uma receita que o seu coração traçou, daí que, mesmo esperando em encontros mal sucedidos, mesmo que picado por mosquitos, ser interpelado pela Polícia, sofrer o aperto de sapatos, (uni maricarissa encontro nozhe ni watchissa ni mapassi/lumiwa hi ti nsuna/manhiwa hi swifambu.), não desistiu porque seu amor era puro.
Mas se a indecisão de Magilidana o incomodava, também incomodava as histórias que ela contava para justificar as faltas ao encontro, (hi mafenha Magilidana nldovi), e o irritava o facto dela não conseguia enxergar o óbvio: um verdadeiro amor a sua frente.
Mas o sublimes desta poesia, está no sonho que o Eugenio teve com a Magilidana, um sonho puro, inocente, imaculado e carregado de simbolismo.
Conta no seu sonho que “siku dzimbeni nkata, nilozi nanina wene, nahi lhalela maphapharhati, loko nhanwa/mpswonwsa swiluva/hambe no tsaka kaya kwanga ku kiyela ndlovi yawu kati hi mafenha Magilidana mine”
Esta mulher com que ele sonha, não é a que esfola seu corpo nu em vídeos clipes dzucuteiros e pandzeiros, não é objecto de todos reducionismos, não é a mulher objecto na música, mas sim objecto da música, é a mulher que inspira e veste a música do belo e não a despida na música, não é a mulher do imediatismo de uma noite de “dou-te com camisa dou-te”, não é a retratada por miúdos que mal conhecem uma mulher, mas acham que já a podem cantar, é sim, a mulher do lar, é a mulher habitando o papel das possibilidades infinitas.
Daí que quando podia dizer explicitamente que sonhou com esta mulher a fazer amor, prefere vestir as palavras dum véu dizendo ..” nahi lhalela maphapharhati, loko ma nhanwa/mapswonwsa swiluva.”(assistindo borboletas sugando o néctar das flores)
Equipara o Eugénio, não só a beleza das borboletas ao seu amor, como as asas destas cobertas com um pólen que representa a fecundação, logo o acto sexual. Na verdade, é este, um golpe de palavras na navegação poética, isto porque, esta mulher, antes de ser a mulher que ele gosta, reflecte o corpo e figura materna e se, não se pode maltratar uma mãe, logo, também não se maltrata a qualquer outra mulher.
A referência swiluva (flores), e se tivermos em conta que estas podem representar a parte mais fina e melhor de uma substância, ganha aqui vida quando comparado a beleza da mulher que ama (Magilidana), e para além de que, esta pode representar a reprodução e justamente o que o Eugénio pretende: esposa e logo, mãe de seus filhos.
Dai o respeito para com as mulheres porque seu corpo é aquele templo, onde rezamos em silêncio e que se diga, nessa hora o tempo pára.
Se o tempo é zero, tal significa que é a hora de intervenção dos deuses, é a hora da mulher, este Deus que não se percebe e por isso mesmo Deus.
E aí está: o Mucavel, é este ateu, que lutou para descobrir a primeira missa e encarar de caras este Deus imprescritível, não só para ver a cara dela, mas para conhecer e conviver todos os dias, formando um lar, dai que afirma que a sua felicidade não é plena sem a mulher da sua vida (hambe no tsaka kaya kwanga ku kiyela ndlovi yawu kati hi mafenha Magilidana mine.)
E prova disto é que a música, é feita depois de Magilidana ter se casado com o Eugenio. E isto de cantar a nossa própria mulher diz muito ou não?
Podia mais borboletear com Magilidana, mas hoje fico por aqui, analisando no silêncio colorido das minhas borboletas da mente, este lindo poema de amor chamado Magilidana de Eugénio Mucavele.
Amosse Macamo

6 comentários:

haid mondlane disse...

muitos parabéns!!!

eis algo que se pode referenciar aos "musicos mais jovens".

este artigo mostrou-me uma cara que nunca vira no poema de Eugénio Mucavel. agora que o descascaram vejo quão lindo é este poema.

ao longo do texto deparei-me várias vezes com o nome Joaquim. acredito ter sido um lapso de escrita, mas se não for, por favor corrija-me (quem sabe não haverá mais uma entrelinha mal decifrada por mim).


gostei do texto.

força!!!

amosse macamo disse...

Obrigado Haid Mondlane...hºa que desbravar a mata ou senao, tentar. obrigado pelo seu elogio e mais, por me teres ajudado a ver a questao do Joaquim, pois na verdade, onde se le Joaquim, deve'se ler Eugenio(tinha na mente ainda a questao do Joaquim Macuacua), obrigado pelo reparo e por teres passado do ModasKavalu

Yndongah disse...

Amigo Amosse,
Meus parabéns pelo texto, é impressionante a forma como desmiuçaste a musica e ressaltaste todo seu lado romântico.Existem muitas músicas românticas, principalmente da “velha guarda”(?), que nós nem damos por elas, eu acho que fazes muito bem em descrevê-las aqui.

Haaa ia me esquecendo, deu para ver que há uma veia poética no amigo Amosse, “(...) porque seu corpo é aquele templo, onde rezamos em silêncio e que se diga, nessa hora o tempo pára (...)” eu hein!

Aquele abraço

PS: mandei-te um email recebeste?

amosse macamo disse...

ha ha ha ha Yndogah, obrigado e nao tenha problemas em dizer velha guarda, pois,saberei perceber que o dizes no sentido de mais experimentados e nao de arrumados na prateleira. obrigado pelo elogio, quanto a veia poetica, acho que de loucos e poetas todos temos um pouco, so nao nos devemos achar medicos por curar uma dor de cabeca com aspirina...quanto ao email, entenda o meu silencio como aceitacao...estarei onde me disserem para estar....e nao pºara o tempo?

Anónimo disse...

Grande historial, foi bom ver e essa deve ser a realidad de cada um, saber assumir seus sentimentos e se direcionar numa so mulher, a magilidane era a mulher correcta para o mucavel e vice versa por isso ele preferiu aguardar so por ela, bom exemplo,......

Anónimo disse...

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